Acto Primeiro
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Destruição?
O motivo? Motores, bombas pelas veias, doces amores podres. O motivo? hahaha
O motivo.
Sem que os olhos o fossem prever
um pedaço de tabaco ainda a queimar
cai.
A reacção nervosa, cerra os olhos
que, agora, derrotados, aceitam o incidente,
com a naturalidade estéril que marca os dias.
Nada, absolutamente nada,
acontece
neste corpo que agora padece,
enfraquece,
ao ritmo certo dos ponteiros.
Existe um tédio que respira
fodido, rancoroso por ser o que é.
Odeia-se a ele mesmo.
A cabeça do coelho morto,
olha-me da travessa escarnicada.
Roga-me pragas por o ter comido
mesmo que eu odeie o sabor a coelho.
A praga dá-se num vómito feroz
que tudo queima até que os pedaços
do coelho mal digerido, saiam pela boca.
A cinza cai, de novo,
com um vómito que envelhece.
Declarando-lhe guerra, apago o cigarro
no olho esquerdo do coelho.
Um terceiro vómito, o pior,
relembra-me que este corpo,
está a chegar ao fim.
Conseguem ouvi-la, a respirar ao ouvido? Passei os últimos dois dias com ela a sussurar-me coisas.
Tenho o Zeca de novo comigo, semi-afogado em reflexão profunda sobre a existência. Quase me faz esquecer o facto de agora não querer tanto “as pesadas”, como antes. Mas tenho-o comigo, e isso é sempre bom.
Vejamos amanhã, ou nos próximos dias, se surge mais um elemento, para a tríade, mas com poucas tatuagens.
Sei bem que este é um espaço moribundo, velho recanto branco em cimento, por acabar de construir. Agradeço, mais do que saberás, a tua - ainda - visita por cá. Talvez o facto de serem tão poucos, e ocasionais, te faça sentir, de certa forma, especial.
A mudança está a acontecer. Nunca deixou, aliás, de existir. Simplesmente, move-se de formas diferentes. Mas chega, agora, de me acomodar nos vícios e pequenos prazeres. Vamos começar uma construção, que só nos poderá levar a Ruínas.
Rosé, Whisky e Café. Cerveja, Charro e Vodka. São sete da manhã e a sala está um caos. Alguém terá que arrumar aquilo amanhã. Provavelmente, serei eu.
Não tenho feito o que me propus. E interessa-me pouco, pois penso nisso só quando me sinto limpo. E isso acontece muito raramente, hoje em dia.
O tempo mexe-se de forma estranha, hoje em dia, e não há outra forma de o olhar para além de uma das sombrancelhas erguidas. Tenho infecção para vazar, sinto-lhe a febre. Porque tomo eu os medicamentos, se deveria, como sempre fui, tomar ainda mais veneno?
“Que se foda, e Fear & Loathing in Candal”.
Tenho dois computadores para organizar. Ter tudo numa pen é demasiado instável. Terei que reunir cada pedaço, organizar de vez a ruína.
Tenho também que responder a todos os e-mails, que são só três. Mas são importantes e passaram já dias sem que eu tenha respondido.
Tenho que actualizar a versão disto e completar o novo layout. É imperativo que o faça. No entanto só o farei depois de ter as coisas organizadas e tenha respondido aos e-mails.
Tenho férias, marcadas para o final da semana. Um fim-de-semana comprido, e ainda tenho de decidir o que vou fazer.
Tenho que fumar um cigarro e deitar-me, para amanhã voltar a ter que fazer o que ainda não fiz.
13 de Agosto de 2008
ESCRITA DE BILHETES DE PAPEL
COMPRA DE PRENDAS
RELATÓRIO DE ACTIVIDADES E REFLEXÃO SOBRE AS MESMAS
Eu cá gosto de escrever bilhetes às pessoas. Já o fiz em quase todo o lado, em todas as superfícies. Não se tratam de meros memorandos, mas antes verdadeiras declarações, verdades registadas na parte não ocupada por tinta de um recibo de máquina registadora, não válido para o IRS.
Gosto bastante, também, de dar prendas, presentes aos que nunca ficam, efectivamente, ausentes. Normalmente dou-lhes simples bilhetes, outras vezes nem por isso. Hoje comprei três prendas. Queria comprar cinco, mas uma esqueci-me e a outra estava esgotada. Vou tentar resolver isso durante esta semana.
Tenho meia dúzia de e-mails para responder. Já pouca gente me escreve, hoje em dia. Mas gosto muito dos que me escrevem. Ainda não vou responder-vos hoje, meus caros. Estou com uma semana de trabalho que parece não acabar no corpo. Mas irei fazê-lo, garanto.
Irei, aliás, fazer muitas coisas mal retome a energia que me falta. Fervilho de ideias, devo acrescentar.
Sábado o Zeca vem cá jantar. Para levar os 30 ou 40 filmes que aqui tenho para ele. Temos álcool e o resto. Venha quem mais quiser, e souber a morada, obviamente.
ps: Acho que é da idade, mas cada vez me pareces melhor.
#7
Respiro fundo, até sentir frio por detrás dos olhos.
- Aquela câmara do Nuno é brutal.
- De facto. Gosto especialmente que tenha disco incorporado. As DV’s são uma merda.
- Sem dúvida. Por acaso, já há anos, que queria fazer um vídeo para aquela música instrumental. Tenho as imagens todas na minha cabeça.
- Sim, também ando há vários anos para começar a fazer umas coisas nesse sentido. Não as edições como fiz com o Laranja e a Dita, mas algo feito por mim. Ou fotografias em movimento, como lhes gosto de chamar.
- Olha, isso era porreiro. Achas que a tua máquina dá para isso?
- Perfeitamente. Sou anti-merdas-caras-e-extremamente-elaboradas. Se a mensagem for suficientemente interessante, pode passar eficazmente de forma simples.
- Também acho. Aquelas coisas que fizemos, na tua outra casa, ainda com o Filipe, já ficaram bem porreiras. Um bocado mais de trabalho e aquilo ficava um doce.
- Não quero aparecer, desta vez. Ou não totalmente. Quero simplesmente fazer algo que goste de ver. O problema são as pessoas.
- Porquê?
- Estou afastado de quase toda a gente que conheci e que vale a pena convidar para participar em algo assim. Tenho duas ou três pessoas que conseguiriam encarnar boa parte das minhas personagens. Mas ainda estão a uns kilometros de distância. Nada que um fim-de-semana não resolva, mas enfim. E tu, conheces alguém?
- Epa, também lhe ando a dar forte na misantropia, nos ultimos tempos. Hum… pois, não estou a ver ninguém…
- Já deixei um convite a estranhos, mas ninguém apareceu. Há demasiado receio de não sei bem o quê. Seja como for, nós havemos de nos desenrascar. Para o próximo fim-de-semana, vamos tratar disso. Abrimos uma garrafa, ligamos o media center com o «Fear & Loathing» e deixamos que o fumo faça o seu trabalho.
- Combinado, homem.